Saiba mais sobre o misterioso voo do 'farejador nuclear' no Brasil

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF, na sigla em inglês) detalhou os motivos do misterioso voo do WC-135R Constat Phoenix ao longo da costa brasileira. O objetivo da missão foi coletar amostras padrão dos níveis de radiação em toda a costa da América do Sul, servindo assim de referência para análises futuras.

O voo, que teve a maior parte do tempo próximo da costa do Nordeste e sudeste do Brasil, foi o primeiro do WC-135R fora do território continental dos Estados Unidos. O avião recém-chegado na frota da USAF complementa os demais WC-135 em serviço.

Segundo informações do site War Zone, a USAF afirmou que a aeronave deveria coletar amostras base das condições atmosféricas que serão futuramente usadas para estabelecer níveis de radiação em condições normais.

Além disso, as amostras permitem monitorar eventuais transportes por correntes de vento de material atômico, como por exemplo, após um vazamento em uma usina nuclear. Em 2011, um WC-135W esteve no Japão coletando amostras do ar, em diversas regiões do país e do Pacífico, para acompanhar os níveis de radiação em vários níveis da atmosfera.

O tem a matrícula 64-14836 e foi entregue em julho de 2022. A missão foi coodernada pelo Comando Sul dos Estados Unidos. O ponto de partida de ambas as missões foi o aeroporto internacional Luis Muñoz Marin, em Porto Rico e teve como destino boa parte do sul do Atlântico, voando até pelo menos o Rio de Janeiro.

USAF WC-135R 64-14836 MILLR36 departed San Juan, PR likely on a baseline collection mission around South America.

— Aircraft Spots (@AircraftSpots)

O avião passou costas da Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil, desceu para até 6.000 pés entre o Espírito Santo e costa do Rio de Janeiro, para em seguida iniciar seu longo retorno até Porto Rico.

O avião se manteve todo o tempo em espaço aéreo internacional e mesmo que próximo da costa brasileira a região, de acordo com leis internacionais, não exije nenhum tipo de solicitação formal para ser sobrevoada, mesmo por aeronaves militares estrangeiras. Ao longo da longa viagem o WC-135R recebeu combustível em voo transferido por um KC-10.

A missão do WC-135R é detectar particulas radioativas na atmosfera, por meio de modernos sensores e apoia o Tratado de Proibição Limitada de Testes Nucleares, assinado em 1963, que proíbe qualquer tipo de teste de armas nucleares acima do solo, incluindo em elevadas regiões da atmosfera ou sobre os oceanos. O acordo limita os ensaios a explosões subterrâneas, tanto na terra quanto no mar.

🇺🇸Boeing WC-135R Constant Phoenix MILLR36🇺🇸McDonnell Douglas KC-10A Extender

— 360°Radar (@wipljw)

“Voar em uma área geográfica diferente ajuda a estabelecer uma ‘linha de base’ de resíduos na atmosfera, o que é importante para manter o mundo seguro”, publicou o War Zone.

A AERO Magazine entrou em contato com a FAB, Ministério da Defesa, o Departamento de Estado e a Embaixada dos Estados Unidos, mas ainda não obteve resposta. Um eventual pronunciamento será devidamente registrado no texto.

Saiba Mais…

O WC-135R pertence a 55º Ala da USAF, sediada na base aérea de Offutt, em Nebrasca, sendo altamente especializado em missões de inteligência. O projeto remonta dos primeiros ensaios nucleares, com origens dos voos de rastreamento de partículas atômicas em meados de 1947.

Dentre as aeronaves já operadas pelos EUA para tais missões estão o WB-29 (um bombardeiro B-29 modificado), o WB-50 (derivado de um B-50 Superfortress) e da família WC-135, incorporado à frota a partir de 1965.

O designador W é referência a palavra Weather, que significa clima em inglês, mas também usado como sinônimo para atmosfera e condições meteorológicas.

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