737 MAX 10 corre contra o tempo e Boeing avalia mudanças no projeto

O Boeing 737 MAX 10 corre contra o tempo para ser certificado até o final de 2022, antes que expire o prazo para homologação dentro das atuais regras sobre os sistemas de alerta de cabine.

O entrave é que além do 737 MAX não contar com um sistema de alerta de cabine, como o EICAS, acrônimo para Sistema de Indicação de Motores e Alerta de Tripulação, uma eventual adição de qualquer dispositivo vai exigir um treinamento adicional dos pilotos, algo que nem a Boeing ou operadores deseja.

Uma mudança no treinamento acarretará maiores custos na formação dos pilotos e a necessidade de uma carteira exclusiva para o 737 MAX 10, comprometendo a competitividade do modelo no mercado.

Os dois acidentes fatais com o 737 MAX 8, na Indonésia e na Etiópia, colocaram em alerta as regras atuais de certificação, em especial quanto a necessidade de um dispositivo de alerta de cabine para os pilotos. A FAA, a agência de aviação civil dos Estados Unidos e principal ente certificador do mundo, revisou suas regras dentro de uma iniciativa de segurança criada após os dois acidentes do 737 MAX. A iniciativa atual prevê que qualquer avião comercial certificado a partir de 1 de janeiro de 2023 deverá ter um novo sistema de alerta.

Na última terça-feira (24), a Boeing realizou evento para a imprensa para explicar o desenvolvimento do 737 MAX 10, expressando que não acredita na necessidade real de mudança no cockpit atual.

“Pessoalmente, não acredito que haja algum valor em mudar o 737”, afirmou Mike Delaney, diretor de segurança aeroespacial da Boeing.

A Boeing afirma que não existem dados que mostrem que mudar o sistema de alerta torne o 737 MAX mais seguro. Contudo, as agências reguladoras e especialistas acreditam que a falta de um alerta claro pode ter sido um dos fatores contribuintes para os dois acidentes com o avião da Boeing.

“É incrível que uma das aeronaves comerciais mais populosas do mundo, que pode estar em serviço até a década de 2060, possa ser certificada sem um moderno sistema de alerta da tripulação”, destacou Nick Cunningham, especialista em segurança, ao Simple Flying.

A Boeing agora trabalha para certificar o 737 MAX 10 até o prazo da FAA, com o risco de ver o maior avião da família 737 exigir um treinamento adicional e contar com consideráveis mudanças no cockpit.

A prioridade se tornou tão elevada que o fabricante postergou a certificação do 777-9, que agora só deverá ser entregue em 2025. A mudança nos prazos da família 777X comprometeu até mesmo a relação com a Emirates Airline, o principal cliente do modelo, que tem demonstrado a insatisfação com os atrasos no projeto.

Além disso, a Boeing ainda trabalha para corrigir uma série de falhas na produção do 787 Dreamliner, que está há 1 ano impedido de ser entregue.

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